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Abuso e Exploração Sexual: Testemunho encoraja vítimas a denunciar

Sua história ganhou ampla repercussão na imprensa do interior do Rio de Janeiro na última semana (18/05). Fruto de um abuso sexual vivido pela mãe e tendo sofrido o mesmo trauma, tanto criança quanto na adolescência, por cerca de cinco anos até conseguir dar um basta, nossa executiva de contas da Camilo dos Santos em Rio das Ostras, Andressa Cordeiro, hoje é um exemplo de coragem. No mês que conscientiza sobre a importância do combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes - o Maio Laranja -, ela expôs sobre esse assunto contando sua história, consciente de que um exemplo palpável pode ser a motivação necessária para que outras vítimas de abuso tenham coragem de denunciar. “Quem passa por isso tem vergonha, medo de falar, receio de expor a família e muitas outras barreiras. De fato, é muito difícil encontrar alguém que fale sobre o assunto. Além de dar coragem, acredito que posso conscientizar outras pessoas sobre como perceber, descobrir, lidar e saber abordar familiares e outras pessoas que possam ter vivido ou estão vivendo isso”, explica Andressa.

 

 
Seja em cursos, palestras, lives e em seu trabalho como missionária cristã, a fala empoderada de Andressa hoje é guiada pela esperança de uma transformação da sociedade. Mas nem sempre foi assim. Ela conta que todo processo até conseguir falar de forma tão aberta foi difícil e demorado. “Quem sofre um abuso carrega muitos traumas, que geram sequelas físicas e psicológicas. Não é só uma memória ruim, mas também envolve nossa saúde física.” Segundo Andressa, muitas vidas não conseguem se reerguer depois de um abuso. “Conheço casos de que se suicida, se prostitui, que passa a morar nas ruas. O abuso faz a pessoa se sentir suja, indigna, ela não consegue se enxergar como ser humano de novo, se colocar na sociedade novamente”, revela.
 
 
Mas o exemplo de Andressa mostra que, sim, é possível, dar a volta por cima. “Na época, contei primeiro para as pessoas que participavam da minha vida, de forma mais próxima, como amigos, e recebi muito acolhimento. Também tive muito apoio psicológico.” Na família, no entanto, a aceitação foi mais delicada. “Até por já ter vivido isso, a reação de minha mãe foi de negação, já que eu sofria abusos de meu irmão. Fui expulsa de casa, mas hoje vejo que foi algo que também me fortaleceu”, reforça. E ela completa. “Eu venci e me sinto muito privilegiada. Não podemos romantizar o problema. É um crime tenebroso e precisa ser tratado como tal, mas é possível. A conscientização é o primeiro passo pra luta.
 
 
Há cerca de três meses na Camilo dos Santos, Andressa conta que até mesmo o trabalho na transportadora tem sido uma motivação para continuar sua missão de vida. “A Camilo foi uma família que me deu esperanças em um momento que eu realmente precisava. Estava desempregada devido à pandemia e eles me acolheram, me dando a oportunidade de seguir a minha vida e dar continuidade a esses trabalhos no qual me engajo.” E ela reforça que, na missão de conscientizar as pessoas contra o abuso sexual, a transportadora cumpre papel ainda mais importante. “No trabalho de vendas, faço o que mais gosto, que é ter contato com o outro, olhar o próximo com calma e empatia. Isso acaba servindo de experiência para as causas que eu engajo”, conclui.
 
 
 
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